sexta-feira, 16 de julho de 2010

Fazer o bem sem olhar a quem

Fim de uma bela tarde no Rio de Janeiro. Em Ipanema, o sol olhava para a Cidade Maravilhosa pela última vez naquele sábado. O cheiro da maresia estava forte. Crianças brincavam de se enterrarem nas areias da praia. Jovens chegavam para o que parecia ser um luau, com violões e sorrisos nos rostos. Era mais um dia como outro qualquer.
No calçadão, encontrava-se nosso protagonista. José Augusto era seu nome. Mais conhecido na praça como Zé. No auge da sua sétima década de vida, Zé transpirava juventude. Muitos diziam que ele havia encontrado a fórmula para permanecer moço para sempre! Era de um sorriso acolhedor e sua simpatia era fácilmente notada por qualquer um que o conhecesse. Amigo de todos na vizinhança, Zé era figura carimbada nos barzinhos (onde animava a todos com seu pandeiro. Ritmo e melodia invejáveis tinha Zé) ou rodas de xadrez nas praças. O choppinho no fim de semana era vital para o jovem senhor. Zé cultivava uma barriga estufada e um bigode mal cuidado.
Como dito antes, Zé encontrava-se no calçadão da Praia de Ipanema. Estava seguindo as recomendações do médico de praticar algum tipo de exercício físico. Caminhava na orla três vezes por semana. Não gostava disso, preferiria ficar sentado observando as belas mulatas passarem de uma extremidade à outra da praia.
Após meia hora de caminhada, Zé resolveu por se sentar em um quiosque para tomar água-de-côco. Por coincidência, acabou se encontrando com alguns amigos que não via há tempos. Papo vai, papo vem, a lua foi subindo no céu estrelado. Às 21:00 horas, Zé despediu-se de todos e partiu para sua casa.
No caminho de volta a sua residência, na Visconde de Pirajá, um incidente ocorreu.
Zé caminhava tranquilamente quando foi abordado por um rapaz de aproximadamente dezesseis anos. O menino retirou uma navalha do bolso e ameaçou cortar a carne do nosso querido senhor sem dó nem piedade, a não ser que o "velho", modo como o assaltante o chamou, cooperasse.
Zé olhou com pena para os olhos do seu algoz, um menino com buço por fazer, cara de mau e que parecia nervoso.
"Meu filho." - disse Zé - "Por que quer cometer essa maldade? Não lhe fiz nada!"
"Ah, coroa, preciso da grana! Vai passando!" - retrucou o jovem.
"Mas meu querido, se precisa de dinheiro, por que não trabalha? Não se envolva nessa nefasta vida criminosa!"
"Olha, vovô, se eu quisesse ouvir sermão, eu ia pra igreja! E não sei nem o que nefasta quer dizer!" - ironizou o assaltante
"Jovem, a vida é feita de escolhas. Escute o meu conselho. O caminho mais fácil para obter as coisas, nem sempre é o certo. Você não vai querer se arrepender de nada no futuro, não é?"
O criminoso hesitou em responder.
"Conte-me, para que deseja ter o meu suado dinheirinho de aposentado?" - Perguntou Zé, com uma voz doce.
A expressão do menino mudou. O semblante mal encarado deu lugar a uma cara triste, de choro.
"Preciso conseguir um remédio pra minha mãe, doutor." - disse o jovem.
"Entendo sua posição." - disse Zé com a voz embargada - "Mas acho que a forma pela qual você está tentando obter o dinheiro para o medicamento é errada, não concorda, meu bom jovem?"
"Sim senhor!" - respondeu o jovem, imediatamente.- "Eu sei que é errado, mas eu preciso senhor, minha mãe precisa." Lágrimas escorriam por seu rosto.
"Então me acompanhe até a farmácia, menino" - disse Zé, comovido. Te darei o remédio que precisa.
Ao chegarem na farmácia, Zé comprou o remédio para a mãe do menino. Pediu um papel e uma caneta ao homem que se encontrava na bancada. Anotou algumas palavras e entregou o papel ao menino.
"Esteja nesse endereço amanhã!" - disse Zé.
No dia seguinte, toca a campainha.
Era o menino, acompanhado de uma senhora de cabelos grisalhos, presos em um prático coque. Com agradecimento nos olhos, ela diz para Zé:
"Obrigado, meu senhor! Não só pelo medicamento, mas por colocar meu garoto no caminho certo."
Zé preparou um café com biscoitos para todos e sentou-se para conversar com suas visitas. Soube que o nome do jovem rapaz era Gérson e que ele morava em uma pensão com sua mãe, Francisca.
"Olha meu rapaz, tenho uma proposta para você." - disse Zé.
"Pois não, senhor."
"Sou dono de uma marcenaria, se você quiser, poderá começar a trabalhar para mim".
O garoto concordou e sua mãe, visívelmente emocionada, beijou-lhe a testa.
Com o passar do tempo, Zé foi se apegando cada vez mais ao garoto, que provou ser um empregado aplicado. O menino passou a frequentar cada vez mais a casa do simpático senhor e a se tornar o filho que Zé nunca teve.
Alguns anos depois, Zé foi diagnosticado com tuberculose pelos médicos. Gérson ia passar os dias com seu mentor no hospital, oferecer o suporte que o mesmo havia lhe dado há alguns anos atrás.
Quando pressentia que o fim estava próximo, Zé pediu para os médicos um papel e uma caneta, onde escreveu seu testamento. Após escrever, Zé dormiu, para nunca mais acordar.
No testamento, as seguintes palavras foram escritas:

Deixo a Gérson tudo aquilo que me pertence. A marcenaria, meu simpático apartamento em Ipanema, minhas humildes economias e meu fusca. Gostaria de deixar registrado nesse documento, que Gérson, que conheci enquanto tentava me assaltar, há práticamente uma década atrás, me fez acreditar que o mundo e que principalmente as pessoas que nele habitam ainda tem jeito. Agradeço ao menino, agora não mais menino pela oportunidade que ele me deu de fazer o bem sem olhar a quem. Tenho certeza que morro agora como uma pessoa realizada. Deixo a todos o meu carinho. E minhas últimas palavras são: Sempre acredite no bem presente dentro das pessoas.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Conto do poeta

A madrugada sorria lá fora. Jovens divertiam-se, banhados pela lua cheia. Farras e festas se organizavam, porres homéricos eram postos para dentro de seus corpos, álcool corria em suas veias. O ar tinha cheiro de felicidade, de algazarra. Ninguém conseguiria se sentir só naquela noite! Ninguém a não ser o famoso poeta.
De sua janela, no sexto andar de um bonito edifício, lá estava ele, observando a juventude nas ruas com um copo de seu envelhecido whisky na mão. A cidade ria com gosto, contente com a movimentação. Mas nosso poeta refletia quieto, só, a não ser pela companhia de seu gordo gato siamês que se encontrava sentado na confortável poltrona vermelha, perto do rádio. A melodia de Simon e Garfunkel inundava a sala de estar. O poeta refletia.
Imerso em seus pensamentos, lembrava das tantas amantes que teve, das comemorações em que foi. Do sucesso que fez e ainda fazia com suas belas palavras, escritas de forma tão contundente, tão sugestiva. Sentiu falta de ser moço. Sentiu falta do tempo em que a vida lhe proporcionava experiências maravilhosas. Sentiu falta das atrizes, sociólogas, bailarinas e professoras com quem saiu. Nenhuma jamais foi capaz de conquistar o seu coração. O poeta está só.
Assistindo aos jovens lá embaixo, sente-se velho. Percebe que a poesia não se encontra mais em sua vida. Chora copiosamente por alguns minutos, o gato pula do aconchego em que se encontrava para tentar consolar seu mestre. A tentativa passa desapercebida.
O poeta encaminha-se para a sua mesa, aquela que em toda a sua vida, fez de seus devaneios realidade. O poeta escreve, não fica satisfeito. Amassa o papel e o atira longe. Recomeça o texto.
Algumas horas depois, sente que o texto está agradável a seus olhos. Então levanta e se dirige novamente para a janela. Sobe no parapeito e sente os primeiros raios de sol da manhã lhe tocarem o rosto com carinho. Olha para trás, pisca para o gato com respeito e então se atira para o asfalto. Morre com um sorriso no rosto.
A perícia chega, examina seu corpo. Dentro do bolso de sua camisa, tiram um papel. Uma poesia bela, soberana, uma obra-prima com o título de:
"Incompreensível Vida".

terça-feira, 13 de julho de 2010

Bonança?

Aposto que todos já ouviram esse famoso ditado:
"Depois da tempestade vem a bonança".
O dito popular acima, para quem não captou a mensagem, quer dizer que após um período ruim da sua vida, de experiências frustradas e vacas magras, a vida melhora.
Porém, contudo, todavia, entretanto, segundo a Lei que rege o universo, a Lei de Murphy, nada está tão ruim que não possa piorar. E isso é a mais pura e cruel verdade do universo. É sério! Querem um exemplo?
Você está atolado de deveres, tá mal na matéria, de saco cheio da escola, odeia o professor, dormiu mal durante a noite, chega no colégio no dia seguinte e ainda tem prova surpresa sobre a parte da matéria que não entra na sua cabeça de jeito nenhum! Aí você para e pensa:
"Tá, não pode piorar!"
ERRADO!
Quando você se deixa levar pelo menor dos otimismos, aí sim, a casa desaba de vez! É capaz do muquirana do seu professor ainda ler suas respostas em voz alta em tom de galhofa para todos da turma e ainda chamar seus responsáveis na escola, pois a matéria dele é soberana e sua vida depende única e exclusivamente dos ensinamentos que ele tenta (frustradamente) te transmitir.
Pois é, meus queridos, o mundo não é, nunca foi e jamais será justo! Não acreditem na bonança vindoura! Nem na bondade da probabilidade! Façam acontecer!
Foi um post curto. Mas espero que tenha sido de algum adianto.

domingo, 11 de julho de 2010

Nostalgia

Estava em casa, conversando com a minha namorada pelo telefone. O papo fluía normalmente, com implicâncias e elogios, quando caímos, não sei por que, no assunto "Qual é a primeira coisa que você se lembra de ter feito na sua vida?"
Refleti um tempo, depois me recordei que em 94, quando tinha dois anos, ia "assistir" aos jogos da Copa na casa do meu avô, que até então ainda era vivo, e chorava sempre que saia gol do Brasil, por conta da comemoração efusiva e da gritaria presentes. Acaba que o fato de eu ser um apaixonado por futebol não é à toa, até minha lembrança mais antiga remete ao esporte! Já experimentou lembrar qual é sua primeira memória? É uma atividade interessante! Faça!
Não costumo sentir saudade da minha infância, mas de vez em quando bate aquela nostalgia! E aí eu me lembro de alguns bonecos que eu tinha, como por exemplo, o dos "Power Rangers" que você apertava no cinto e trocava a cabeça! Todo menino que nasceu entre 1990 e 1995 tinha um desse! E os desenhos animados que passavam na tv? Que saudade! Tom e Jerry, Looney Tunes, Corrida Maluca, Speed Racer etc. E mais tarde vieram os animes, Dragon Ball Z, Pokémon, Digimon, Super Campeões...
Os grandes clássicos Disney que encantam geração por geração! Rei Leão, Branca de Neve, 101 Dálmatas, Pinóquio, Alice no país das Maravilhas, A Bela e a Fera, Peter Pan, Hércules e muitos outros! Todos te transportam para um reino onde tudo é possível! Quem nunca quis ter uma fada madrinha? Ser criança para sempre e lutar contra piratas na Terra do Nunca? Ter um grilo como consciência? Conhecer um suricato e um javali que dessem lições de vida a jovens leões através de música? Walt Disney criou para a humanidade um excelente ponto de fuga de todo o stress mundano onde o bem sempre triunfa, o vilão sucumbe e todos são felizes para sempre!
Talvez o ponto mais positivo em ser criança, seja o fato de não se ter malícia e nem responsabilidades. A ingenuidade das crianças é de se admirar! Acreditam que a bondade se encontra em qualquer esquina, que ninguém quer o mal de ninguém, que seres encantados existem em algum lugar, ou que então, algum dia, um menino de trajes verdes, acompanhado de uma minúscula fadinha, dará um pózinho capaz de fazer com que alcem voos extraordinários! Você cresce e aos poucos a mágica vai se dissipando, começa a se enxergar o mundo como ele realmente é.
Não gostaria de ser criança de novo. Mas que dá saudade, isso eu não posso negar! Porém, acredito que por dentro, a criança nunca deixa de ser criança. E está sempre disposta a sorrir e acreditar na bondade alheia!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Transcendência

São dez pras quatro da manhã de uma sexta feira. Cheguei de uma festa há pouco mais de uma hora e meia. Estava nos preparativos para que Morfeu me carregasse pras terras de fantasia que povoam a minha mente. Deitei na minha cama, vivendo aqueles devaneios pré-sono, quando algo me incomodou. E então fui acometido de uma vontade colossal de expôr esse incômodo ao mundo, ou pelo menos a vocês, meus caros leitores. Devo alertá-los de que trata-se de uma questão metafísica, logo, completamente abstrata e sem explicação.
Será que nossas vidas valem a pena ser vividas? Ou melhor ainda, será que desfrutamos o suficiente dessa oportunidade única que é viver?
Hoje estava conversando com um conhecido meu, fumante. Em tom de brincadeira, virei pra ele e falei:
"Cuidado, esse troço aí mata!" - Me referindo ao maço de cigarros que ele carregava, cuja marca me falha a memória.
Obtive a seguinte resposta:
"Mata sim, mas eu vou morrer aos 65 feliz! Antes de ter Alzhaimer, Parkinsson, ou qualquer outra doença atribuída à terceira idade".
A princípio, é uma resposta idiota e inconsequente. Mas quando analisamos melhor, será que a filosofia está certa? Não, o foco principal não é fumar! Mas sim fazer coisas as quais nos censuramos ou somos censurados. A vida é uma chance única! Devemos aproveitar e fazer de tudo isso o mais prazeiroso possível! E não nos importarmos jamais com a opinião alheia!
Talvez o cigarro não tenha sido o melhor exemplo pra isso que eu estou tentando dizer, mas acho que deu pra entender. Bom, vou tentar explicar melhor, o cigarro seria uma figura simbólica. Ele é, para o meu conhecido, um elemento que o traz felicidade, apesar da opinião alheia, do SUS, do IML, ou de qualquer outro órgão cuja sigla seja composta por três letras! Ele não se repreende e é feliz por causa disso.
Tenho uma bisavó viva. Ela está com cento e três anos. Sim, você não leu errado! Cento e três anos! Isso é coisa demais! Só que, apesar da dádiva que lhe foi oferecida, ela não consegue mais interagir direito com as pessoas há mais de uma década. Praticamente surda e sem memória nenhuma ( o que a faz perguntar a mesma coisa por 200 vezes em um espaço de quinze minutos). Será que vale a pena viver assim? Como um semi-vegetal? Ou será que ela teria sido melhor abençoada com uma década a menos de vida, porém, com saúde plena até o fim dos seus dias?
Eu sei, o texto está "um tanto quanto bastante" mórbido e eu não estou querendo me fazer passar por um escritor simbolista, mas quem nunca parou para pensar nesses assuntos?
E a vida após a morte? Ela existe? O Éden espera por nós? Será que os terroristas recebem suas virgens quando morrem? Será que existe um paraíso para cada religião? Ou será que a morte não é um novo começo, e sim o derradeiro fim eterno? Será o nada ou será o tudo? A explicação ou a ignorância? Temos alma? Será que a vida é apenas uma transição do ponto material para o espiritual? Who knows? Quem sabe o polvo que acerta os jogos da Copa...
Um texto cheio de perguntas e sem nenhuma resposta concreta. Pior que isso só minhas provas de química inorgânica de antigamente. Em breve saberemos as respostas, eu espero. Mas tomara que não seja tão breve assim, porque eu ainda gostaria de ter algumas muitas décadas de vida.
Bom, meus queridos, vamos chegando ao fim de mais uma postagem. Mas antes:
Curtam suas vidas, "carpe diem" tem que ser o lema de vida de todo o ser humano! Riam, chorem, cantem, dancem, se emocionem, vibrem, se apaixonem, amem, VIVAM! Pois a vida é uma experiência única! Vou dormir, está na hora! Amanhã é um novo dia!
A Vida não permite ensaios! Até o próximo post, galera!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Idolatria e impunidade

Faço esse texto para expor minha opinião a respeito do "Caso Bruno". Não vou entrar em méritos futebolísticos ou discutir quaisquer aspectos da vida profissional do goleiro.
Ok, vamos lá...
Não vou entrar em debate, parto do ponto em que ele matou ou mandou matar a jovem que era mãe de seu filho.

Primeiro ponto:
Por que ele fez isso? Por causa da pensão que ele deveria estar pagando? Como se ele não tivesse dinheiro o suficiente para arcar com as despesas do filho! Ridículo! E se toda vez que alguém tivesse que pagar pensão, matasse a ex-mulher, o Romário seria um serial-killer.

Segundo ponto:
O cara como ídolo do clube de maior torcida do país deveria ter um mínimo de sensatez! Quantas centenas de milhares de crianças não se inspiram no exemplo dele? Quantas não gostariam de ser igual ao mesmo quando crescer? Ídolo tem que dar exemplo dentro e fora de campo! A vida de um jogador de futebol não se resume ao que acontece dentro das quatro linhas! Se eu fosse flamenguista, teria vergonha de ter no meu time um assassino desse porte. Farras, nights, bebedeiras e etc podem ser tidas como comportamentos perdoáveis, afinal, tirando o Kaká, que jogador de futebol não sai pra curtir o salário milionário que recebe? Mas um crime hediondo como o cometido pelo guarda-redes da meta rubro-negra não pode passar impune no conceito dos torcedores! Ele é um assassino! Ídolo ou não!

Terceiro ponto:
Não ficarei surpreso se a pena que o goleiro e seus comparsas forem condenados a cumprir seja mínima. A justiça desse país não é lá grandes coisas, longe disso, por sinal! E apesar do apelo da mídia, acredito que Bruno irá se safar com poucos anos. Quem sabe com um pedido de Habeas Corpus? Ou então liberado por causa de "bom comportamento"?
Acho que ele deveria ser banido permanentemente do futebol. Um ser humano que consegue tirar a vida de outro não pode participar de um esporte coletivo!

E que a justiça prevaleça!

Ilimitável!

Fala aí, galera! Passei um tempinho sem blogar nada, minha veia literária tava meio enferrujada! Mas cá estou eu! Pronto pra mais um post!
Pois bem, estava eu aqui no ócio, filosofando em cima das coisas mais banais do universo quando me veio uma ideia, talvez tão banal quanto, de publicar sobre algo que penso corriqueiramente:
Qual é o limite do ser humano?
Ou melhor ainda, será que o ser humano tem limites?
E quando eu faço essa pergunta, envolvo absolutamente todas as questões!
Limite físico, esportivo, mental, intelectual, de estupidez, de crueldade e de muitos outros quesitos.
Até quando veremos Usains Bolts e Michaels Phelpses colocar o corpo à prova e tornarem-se cada vez mais fortes, rápidos, ágeis? Será que um dia haverá um recorde mundial inquebrável? Se chegar a existir, de quanto seria? E quantos anos será que restam pra que ele seja alcançado?
Será que chegaremos a um avanço tão grande no ramo tecnológico e intelectual a ponto de sabermos tudo? De não ter mais nada a ser trabalhado ou descoberto? De termos a cura pra todas as doenças, de evitarmos a morte e nos tornarmos seres eternos?
Será que fomentaremos guerras até destruirmos tudo? Até extinguirmos com fauna e flora? Até matar irmãos e nos rebaixarmos ao nível de Caim? Fazemos tudo isso como se fossemos verdadeiros filhos de Ares*!
A resposta pras minhas perguntas?
Só o tempo irá dizer! Espero que ele seja generoso!
Porque até que me provem o contrário, o céu é o limite!


*Ares é o Deus da Guerra segundo a mitologia grega.

domingo, 4 de julho de 2010

Peso na consciência?

Primeiramente, gostaria de me desculpar por ter ficado esses dias sem publicar nada aqui no blog, vou tentar fazer com que isso não aconteça novamente.
Bom, eu estava assistindo as quartas-de-final da Copa do Mundo - Calma meninas, o assunto principal desse post não é futebol!- fiquei decepcionado com a derrota da Canarinho para a Laranja de Robben e Sneijder, mas o jogo que mais me chamou a atenção, foi Uruguai vs Gana.
Para você que não assistiu, eu explico:
O jogo terminou empatado em 1 a 1 e quando isso acontece na fase de mata-mata, temos a prorrogação (dois tempos de 15 minutos cada) e, se permanecer o empate, pênaltis. Pois bem, o jogo se encaminhava para ser decidido nas cobranças da marca de 11 metros, quando aos 15 minutos do segundo tempo da prorrogação, Gana tem uma falta para cobrar pelo flanco direito de seu ataque, próxima ao bico da grande área. O jogador ganês efetua o cruzamento, o goleiro Muslera sai mal do gol e a bola fica viva dentro da grande área, é chutada e tirada em cima da linha por um defensor uruguaio, a bola volta e é cabeceada mais uma vez em direção ao gol, dessa vez inapelavelmente. Gol na certa. Mas eis que Luizito Suárez, atacante do time do Uruguai, em cima da linha que delimita a entrada da baliza, dá uma cortada de vôlei na bola e impede que a mesma entre. Pênalti! Cartão vermelho para Suárez e o atacante ganês, Asamoah Gyan, teria em seus pés a chance de fazer com que, pela primeira vez, uma seleção africana chegasse as semi-finais de um Mundial. Ele desperdiça! E o Uruguai acaba por vencer o jogo na disputa por pênaltis.
Agora, eis o foco central do texto:
Você, no lugar do atacante uruguaio, colocaria a mão na bola? Com certeza a esmagadora maioria responderá que sim, eu inclusive. Diria ainda que seguraria a bola e a levaria para casa! Sem remorso nenhum! Mas aí se pensa:
Em uma jogada sem o menor "fairplay", você está tirando de uma nação a chance da glória, para manter a sua viva na competição, através de meios ilícitos.
Eu sei, o juiz cumpriu a regra. Deu o pênalti. E não tem a menor responsabilidade a ser assumida pela perda do pênalti. Não entrou, logo, não foi gol.
A vida é assim, nem sempre o certo é o justo. Posso apostar que Luizito não perderá o sono por causa de seu ato, mas não consigo não ter pena do humilde escrete africano. Injustiçado pela conduta anti-desportiva.
Não é hipocrisia! Nem quero sensibilizar ninguém! Até porque, mesmo depois de refletir sobre o caso, eu continuo convicto de que levaria a mão à bola com gosto.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Burrocracia

Não galera, o título do tópico não está errado. Eu coloquei a palavra acima com dois "r" de propósito. Por que? Bem...
Eu estou pra conhecer alguém que goste de passar horas em uma fila, preencher formulários, virar refém da velocidade dos atendentes e perder metade do dia se estressando dessa forma.
Por que que a burocracia tem que estar presente dessa forma tão pejorativa em nossas vidas? Será que não existe um meio de reduzi-la, ou pelo menos amenizar os seus efeitos? Tudo bem que a obtenção de dados se faz necessária, mas precisa de tanta papelada? De tanta confusão? Do stress que proporciona?
Não tenho nada contra os atendentes, a menos é claro, que sejam umas verdadeiras portas e tenham a velocidade de raciocínio equivalente a um jabuti tetraplégico. Minha indignação se direciona às empresas e corporações, que fazem tanto seus clientes quanto seus funcionários de otários mediante a sua chatice, enquanto riem da cara deles.
Eu não sei por que, mas toda vez que entro em alguma fila, sou apoderado de um medo terrível de ter esquecido alguma coisa importante, ou então de estar no lugar errado, ou pior, acabar o atendimento bem na minha vez. Francamente, não sei qual seria a minha reação se a última opção se concretizasse alguma vez na minha vida. Provavelmente eu teria a mente tomada por um surto psicótico, ou então só pensaria que meu dia foi uma bosta.
Filas te fazem passar por mudanças de humor:
Primeiro vem a raiva de ter que esperar horas e horas, depois vem a conformação, afinal, você tinha que entregar aqueles documentos mesmo, né? E por fim vem a desolação:
"Poooor queeee?? Por que eeuu?? Ó céus! Ó vida!"
Isso sem contar que sempre que você se livra de uma fila, te encaminham pra outra, ainda maior e mais lenta! Já ouviu falar em ciclo sem fim? Pois é, ele não tá presente só em "Rei Leão"...
Mas é assim que é a vida galera, temos que nos contentar com filas quilométricas, formulários com 502 folhas que precisam da sua assinatura, frente e verso, gente que quer furar fila (que é a pior raça do mundo!), dentre outros males.
E se mostrarmos que nos incomodamos, se tentarmos ilustrar aos donos das corporações que não nascemos pra esperar, que a vida tá lá fora, que filas não tão com nada, talvez...
É, talvez nada. Não vai mudar. Quem se interessa pelo povo, não é mesmo?